
Decoração do tanabata nas ruas de Kurashiki.
No Brasil, sempre aprendi a cultura japonesa através do que foi passado de meus avós e de meus pais. Como meus avós vieram ao Brasil quando eram criança, achava que muito das coisas que meus pais faziam era coisa do passado, que os japoneses de agora ainda não faziam mais. E não apenas meus pais, mas toda a comunidade nikkey. Por exemplo, o tanabata matsuri na Liberdade sempre me pareceu algo meio fake, meio coisa do passado...um costume que parece tão de interior, um negócio meio rural...achava que não tinha mais isso no Japão do século 21.
Engano total meu. A toda hora vejo cenas que dão significado a tudo o que somos no Brasil. Como no exemplo do Tanabata matsuri, papeis são colocados em varios locais para as pessoas fazerem seus pedidos, até na minha escola, em todo lugar.
Uma das coisas que acho engraçado: sempre que me despeço de minha avó no Brasil, ela vai até a porta e fica fazendo tchau até eu sumir do mapa. Sempre achei que ela fazia isso porque ela gostava bastante da gente. Não que ela não goste, mas chegando aqui eu percebi que esse é um costume japonês, um modo de mostrar respeito, consideração! Este exemplo pode soar sem significado para alguns, mas para mim significa muito. É o que eu sou, é como fui criado. A cada instante no Japão eu consigo entender melhor a mim mesmo, a minha família e minha comunidade.

Hanabi na sexta feira. 2 horas de fogos de artificio. Tendas que vendem Takoyaki, kakigori, yakissoba, cerveja, refrigerante. Ruas fechadas. Povo na rua, aglomerado de gente, muita gente. Barulho, gente indo, vindo. Prédios gigantes, arquitetura belíssima, show de fogos na frente do rio que corta a cidade. Pessoas vestidas de yukata. Muita gente mexendo em seus celulares.
Que lugar mais único o Japão! A cidade com seus prédios modernos, tecnologia em todo lugar mas parece que suas almas são as mesmas de antigamente. Festejos que tem um aspecto tão rural acontecendo num cenario que parece tão moderno, asfalto. Mais ou menos como uma festa junina em plena Avenida Paulista.

Diálogo retirado no momento de tirar a foto:
- Ei Yuka, quem são aqueles dois de komono??
- Sei lá, vamo lá tirá uma foto com eles??
- Puta, que vergonha...
Fala da Japonesa que nos acompanhava - Esses trajes são de casamento. Vão lá! Não se vê isso a toda hora aqui.....
- Chama a galera então, vamo lá!
- Sumimasen, burajiru no kenshuin desukedo, shashin wo isshouni totemoi desuka??
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